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Entrevistas
29/08/2014
“Marina transformou eleitores indecisos em independentes”

O cientista político Carlos Melo, do Insper, afirma que a candidatura de Marina Silva(PSB) a presidente “encarnou” a terceira via no Brasil e tem grandes chances de sair vitoriosa das urnas. Uma vez eleita, no entanto, a ex-senadora deverá enfrentar dificuldades se o novo Congresso mantiver a postura “fisiológica” da atual legislatura, sintoma de uma “política gangrenada”. Melo vem estudando com atenção o “fenômeno Marina” nestas eleições. “Com a entrada desse novo jogador, que é a Marina, um terço dos eleitores (que não são nem petistas nem tucanos) deixa de ser indeciso para se transformar em independente”. Leia a seguir a entrevista que ele concedeu a ÉPOCA nesta semana.
 
ÉPOCA – Como o senhor explica as razões do sucesso da candidatura Marina Silva até agora?
 
Carlos Melo – Marina encarnou a terceira via, ela encarnou uma alternativa a essa polarização, que me parece esgotada, entre PT e PSDB, coisa que Eduardo Campos não havia feito. Eduardo Campos foi muito afoito para um discurso de oposição a Dilma Rousseff e cometeu um erro estratégico que foi aquela série de encontros com o Aécio Neves. Naquele momento, ele virou uma espécie de sub Aécio e não conseguiu entrar na cabeça do eleitor que não queria uma coisa nem outra. Embora politicamente ele não fosse isso, fosse um conciliador.
ÉPOCA – Campos não tinha condições de atrair essa terceira via?
Melo – No Brasil, hoje temos o eleitorado dividido em três terços. Nos Estados Unidos, por exemplo, com o perdão da redundância, o eleitorado está dividido em duas metades: democratas e republicanos. No Brasil, não. Um terço dos eleitores brasileiros é do governo, é do PT. Isso vem desde 1989 quando o ex-presidente Lula foi para o segundo turno contra o Fernando Collor. Há um outro terço que é anti-petista ferrenho, que não aceita o PT de jeito algum. Sobra um terço, que está cansado dessa polarização. Os 20 milhões de votos da Marina em 2010 também vieram um pouco desse cansaço.
 
ÉPOCA – Na prática, Marina não é mais oposição a Dilma do que o Eduardo Campos era?
 
Melo – Sim, claro. Mas ela é oposição ao governo federal e é oposição ao Geraldo Alckmin (governador de São Paulo, do PSDB, candidato à reeleição), por exemplo. De algum modo, com essa recusa em estabelecer diálogos com candidaturas estaduais do PSDB, ela marca uma posição bem clara, embora o longo prazo possa cobrar um preço elevado dela. Ela não é Dilma nem é Alckmin. Não é Dilma nem é Beto Richa (governador do Paraná, do PSDB, candidato à reeleição). Ela se consolidou como uma terceira via, além de encarnar, melhor do que o Eduardo, a figura alternativa à política tradicional. O Eduardo, apesar de jovem, também era visto pelos eleitores como um político do mainstream. Tinha sido governador, tinha muito trânsito em outros partidos... Isso era uma qualidade política, mas não era uma qualidade eleitoral. Ser, de alguma forma,outsider, como a Marina tem se apresentado, a coloca no colo desse um terço do eleitorado cansado da polarização e da política tradicional. Sem a Marina, uma grande parte dos eleitores desse um terço iria compor as estatísticas dos indecisos e outra iria se pulverizar nas candidaturas de Aécio e Dilma, e o Eduardo Campos seria uma ótima alternativa para 2018 ou para ser um bombeiro nos governos da Dilma ou do Aécio. Com a entrada desse novo jogador, que é a Marina, esse um terço deixa de ser indeciso para se transformar em independente.
 
ÉPOCA – O inverso também é verdadeiro, não?
 
Melo – Sim. Marina tem densidade eleitoral. O Eduardo Campos tinha amplitude política. O que é uma vantagem para Marina na eleição, era uma desvantagem para o Eduardo. O que seria uma vantagem para o Eduardo num eventual governo, pode ser uma desvantagem para Marina. É mais fácil ganhar com a Marina do que governar com a Marina. Essa troca é que teremos de olhar com calma.
 
ÉPOCA – Pode ocorrer com a candidatura Marina Silva o que ocorreu com Ciro Gomesem 2002 (nas eleições presidenciais) e com Celso Russomanno em 2012 (na disputa pela prefeitura de São Paulo), que tentaram se estabelecer como terceira via mas ficaram fora do segundo turno?
 
Melo – Esses problemas se deram em virtude de erros deles. A questão agora é: a Marina vai errar? Nós não sabemos. O Ciro brigou com um eleitor numa rádio e depois deu uma declaração desastrada em relação a Patrícia Pillar, que era mulher dele na ocasião. O Russomanno veio com a proposta estapafúrdia de que quem anda de ônibus devia pagar mais. O que a Marina pode falar que pode significar um tiro no pé? O candidato se prova também aí. É claro que haverá forças contrárias a ela. Em algum momento, Aécio e Dilma vão partir para a desconstrução dela. Aliás, nas redes sociais isso já começou. Então, além de não cometer erros, ela precisa resistir à força dos adversários, que não é pequena, que tem tempo de televisão e palanques importantes.
ÉPOCA – Há por trás do fenômeno Marina um componente ético, por causa do desgaste do PT e, de certa forma e em escala menor, também do PSDB, no episódio do mensalão?
 
Melo – A candidatura Marina é contra a maneira como o sistema político brasileiro está gangrenado. Nas últimas décadas, fomos perdendo qualidade política. Aécio e Dilma estão pregando para convertidos. Então, vem a Marina e diz: “olha, vamos parar com esse negócio de petralhas e tucanalhas?”, e isso faz sentido para alguns milhões de eleitores. O Eduardo Campos era pragmático e também tinha essa abrangência. Ele nunca brigou com o Lula ou com o Fernando Henrique. Ele sabia que o dia seguinte era complicado.
 
ÉPOCA – O que senhor está dizendo é que Eduardo Campos tinha mais condições de fazer um governo de união, de reconciliação?
 
Melo – O Congresso é fisiológico e não vai deixar de ser nesta eleição. As práticas não devem mudar. Os melhores estão se retirando da política.
 
O Eduardo Campos podia abrir mão do PMDB de Renan Calheiros, José Sarney e Eduardo Cunha porque trazia, por exemplo, o PMDB do Jarbas Vasconcelos e do Pedro Simon. Ele trazia também os lulistas históricos, o setor mais pragmático do PT. Trazia também um contingente grande de tucano. E a Marina? Quem ela traz? O grande problema da Marina, se eleita, será o Congresso. Buscar alternativas do tipo conselhos populares para pressionar o governo de fora para dentro pode criar uma grande confusão, porque será mais um ponto de conflito e não de consenso. Eu tenho dito que o quadro político brasileiro é muito ruim. Esse foi o maior retrocesso que nós tivemos. Voltamos a ter uma direita e uma esquerda enraivecidas e um centro fisiológico.
 
ÉPOCA – Quais os efeitos das manifestações de junho no fenômeno Marina Silva?
 
Melo – O que aconteceu em junho abarca de tudo um pouco. Havia setores mais ideologizados que acham que o PT foi para a direita e virou mais conservador. Havia setores talvez de uma esquerda nova, formada por ambientalistas e gente que não participou sequer do impeachment do Collor (1992) e que quer uma coisa nova. Por fim, havia também os setores despolitizados, ressentidos com o que pagam de impostos e recebem de serviços. O que foi para a rua foi mais ou menos isso. Nenhum partido conseguiu capitalizar isso.
 
ÉPOCA – E os efeitos das manifestações no governo Dilma?
 
Melo – O aumento das passagens de ônibus era um problema dos municípios. Depois, a coisa explode mesmo quando há uma ação desastrosa da polícia de São Paulo, o que era um problema do governo estadual. A coisa, então, progrediu para uma crítica aos políticos com a invasão da cúpula do Congresso. Um presidente mais astuto, até ali talvez se preservasse. A Dilma saiu dando a cara a tapa e puxou para si a crítica que era para todos os políticos. Também cometeu erros políticos incríveis. Saiu com uma proposta de reforma política que não se sustentava e anunciou um pacto com os governadores e prefeitos de capitais antes de ter se reunido com os governadores e os prefeitos. Como você anuncia um pacto antes da reunião? É a gerente que chama os funcionários e diz para eles o que eles vão fazer. Só que eles não são funcionários dela. Dilma tem agido por um impulso como a gerente que precisa dar respostas rápidas. Ela não é gerente, é presidente da República. O resultado é que ela cai de quase 60% de aprovação para 30% e não consegue mais se recuperar completamente.
 
ÉPOCA – O PSDB corre o risco de ficar fora do segundo turno, algo que não ocorre desde 1989 (em 1994 e 1998 Fernando Henrique Cardoso foi eleito no primeiro turno). Como o senhor avalia este momento do partido?
 
Melo – Se o Aécio não for para o segundo turno, será muito ruim para o partido e para ele porque esta é a maior janela de oportunidade para o PSDB em 12 anos. Ao mesmo tempo, se as pesquisas forem confirmadas e o Alckmin for reeleito em São Paulo, a relação de forças e poder no mundo tucano vai ser reconfigurada. Alckmin será um nome muito forte para 2018. Por isso, a forma como a Marina Silva vem desqualificando o Alckmin é ruim para ela, porque ele será um ator importante para a governabilidade e, sobretudo, para a formação no Congresso. Acho que esse é o ponto em que os adversários dela vão bater. 
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