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Entrevistas
04/09/2016
A crise é nossa

Neste domingo (4) e na segunda-feira, na China, chefes de governo e de Estado das 19 economias do G20, além da representação da União Europeia, ouvirão relatos de que a economia mundial desacelera suavemente, ainda crescendo ao ritmo de 3,4% ao ano. No Brasil, integrante do bloco, seria um diagnóstico auspicioso.
 
Líderes mundiais devem discursar outra vez sobre empecilhos contra o comércio entre as nações, que cresce em ritmo ainda menor que o da produção mundial, em parte devido a barreiras comerciais impostas por estes mesmos países que louvam o livre intercâmbio de mercadorias. Deve haver avanços mínimos ou declarações protocolares sobre acordos do clima e paraísos fiscais.
 
Considerações sobre o estado da diplomacia econômica mundial podem obscurecer o fato de que o mundo se move, ainda que claudicante. O assunto continua relevante para os exaltados e mal informados debates sobre efeitos do mundo no crescimento do Brasil.
 
Há mais progresso econômico que há cinco anos, quando os países centrais ainda se debatiam para sair do atoleiro da grande recessão que começara em 2008.
 
Nos cinco anos de recuperação mundial, o Brasil regrediu. De 2011 a 2015, cresceu 5%, mais apenas, entre as economias do G20, que Itália e Japão, países no entanto ricos, com renda per capita equivalente a três ou quatro vezes a brasileira.
 
Caso se considerem economias de renda mais próxima da média, portanto mais similares à do Brasil, a situação é desoladora. Também no G20, México e mesmo Argentina cresceram mais, entre 2011 e 2015.
 
A rica Austrália –também dependente de commodities– cresceu 14% no período. A conturbada Turquia, 24%. A ainda pobre Indonésia, 31%. No ano, nenhum país apresenta nem de longe algo parecido com o desastre brasileiro.
 
Atribuir o baixo crescimento brasileiro às desventuras do mundo parece um equívoco ainda mais disparatado quando se observam as economias mais modestas da vizinhança, ainda mais sujeitas às variações dos humores financeiros mundiais e dos preços de matérias-primas do que este país.
 
Vale ressaltar que as exportações brasileiras crescem abaixo do ritmo do comércio internacional.
 
A renda per capita da Colômbia cresceu 19% de 2011 a 2015. Nesse período, no Brasil presidido por Dilma Rousseff (PT), o crescimento foi de 0,1%. No Peru e no Paraguai, 18%. No Uruguai, 17%.
 
Nossas agruras são, na maior parte, derivadas de uma política interna tão irresponsável quanto mal formulada, agravada por favores estatais e fraudes. Não há crise mundial para desculpá-las.
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