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Política
12/04/2015 - 18:36
Não foi maior: ato anti-Dilma tem público reduzido em SP
Foto: Terra
Terra

A Promessa de “vai ser maior” não se confirmou. A segunda manifestação contra o governo da presidente Dilma Rousseff (PT), realizada neste domingo (12) na Avenida Paulista, contou com público menor que a primeira, organizada no dia 15 de março . De acordo com a Polícia Militar do Estado, participaram 275 mil manifestantes, sendo que no ato passado o número havia sido estimado em 1 milhão. O Instituto Datafolha, por sua vez, cravou em 100 mil, contra 210 mil do último. Gritos "contra o comunismo", selfies com policiais e clima de micareta, no entanto, mais uma vez deram o tom.

 
A via foi organizada em blocos, sendo que cada movimento ficou responsável por um deles. Como alguns coletivos estreantes não receberam grande adesão do público, foram os já conhecidos “ícones anti-PT” que comandaram as reivindicações. De um lado, SOS Forças Armadas pediam intervenção militar no País; do outro, Revoltados Online, Vem Pra Rua e Movimento Brasil Livre discursavam contra a corrupção e defendiam o impeachment.
 
Além das camisas da CBF e de outras roupas nas cores verde e amarelo, os manifestantes exibiram camisetas com mensagens como “Fora PT”, “A culpa não é minha, eu votei no Aécio” e “Olavo tem razão”, esta última em referência a Olavo de Carvalho, autor queridinho dos simpatizantes da direita. Enquanto bradavam gritos de “quem não pula é comunista” e “a nossa bandeira jamais será vermelha”, dançavam ao som de paródias de canções variadas, desde Faroeste Caboclo, da banda Legião Urbana, até Show das Poderosas , da funkeira Anitta – a maioria com letras de acusações e ofensas a Dilma.
 
  
Não foi só a Polícia Militar que notou queda no número de manifestantes da última manifestação para esta. Os ambulantes que circularam entre os pedestres – disponibilizando opções variadas que iam desde hot dogs até picolés gourmet – também disseram sentir movimento fraco e reclamaram da queda nas vendas.
 
O vendedor de espetinhos que preferiu se identificar apenas como José é um deles. Ele contou à reportagem que, no último ato, vendeu cerca de 60 espetos (de carne, frango e linguiça) das 16h às 17h30. Neste domingo, das 14h às 15h30, comercializara apenas dois.
 
José, no último ato, vendeu cerca de 60 espetos das 16h às 17h30. Neste domingo, das 14h às 15h30, comercializou apenas dois
Foto: Terra
“Nem se compara, na outra manifestação tinha muito mais gente. E gente com muito dinheiro, dava para ver na cara deles. Aí vendemos bem. Por volta das 15h, eu já tinha vendido tudo. Hoje, nesse mesmo horário, ainda tem isso”, disse também Sério Ricardo, apontando seu isopor lotado de cervejas, refrigerantes e águas. “O problema é que estão divulgando muito esses eventos. Aí quem nunca trabalhou como ambulante resolve vir vender também. E, como eles não dependem desse dinheiro como nós, colocam preços menores”, reclamou.
 
Sérgio se referiu a jovens como Bruno Tuuneli e Vinicius Ianicelli, ambos de 19 anos. Estudantes de engenharia, eles participaram do protesto anterior como manifestantes e se indignaram ao comprar uma água por R$ 5. Por isso, resolveram montar seus próprios isopores e ir até a avenida comercializar bebidas por preços baixos. Uma garrafa de água com eles, por exemplo, saía por R$ 3. “Nós esperávamos que teria mais gente, como no outro protesto. Mas está dando para vender. O bom é que está calor, então o pessoal fica com sede e vem comprar de vez em quando”, explicou Bruno, que diz apoiar o ato pois “o País não está lá essas coisas”.
 
Além dos alimentos, outros vendiam ainda “souvenirs” do protesto, como camisetas e faixas de "Fora Dilma" e apitos. Ouvidos pelo Terra, eles também reclamaram do "movimento fraco".
 
Manifestante fica nua, e PM ordena prisão 
 
Ainda segundo a PM, a única ocorrência registrada foi a prisão de uma mulher que ficou completamente nua na Avenida Paulista. Ela foi detida por “ato obsceno” e levada para o 78 DP (Jardins). Além disso, um manifestante que defendia a intervenção militar foi hostilizado por uma multidão, próximo à Alameda Campinas. O clima ficou tenso, e o homem precisou ser escoltado pela polícia.
    
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