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Política
08/05/2018 - 08:08
Suíça aponta depósitos numerosos em contas de Paulo Preto na gestão Serra
Foto: Reprodução
Uol
 Quarenta e três dias depois de ter sido nomeado diretor de engenharia da Dersa (empresa responsável por obras rodoviárias de São Paulo), em 24 de maio de 2007, o engenheiro Paulo Vieira de Souza fez uma mudança e tanto nos negócios que mantinha na Suíça: abriu quatro contas no banco Bordier & Cie, em Genebra, segundo documento sigiloso que as autoridades suíças enviaram ao Brasil.
 
Foi entre 2007 e 2009 —durante o governo de José Serra (PSDB)— que essas contas receberam "numerosas entradas de fundos", ainda de acordo com o comunicado do Ministério Público da Confederação Suíça. Fontes ligadas ao órgão afirmam que está nesse período a maior parte dos depósitos de Souza naquele país.
 
As quatro contas tinham um saldo de US$ 34,4 milhões quando Souza, conhecido como Paulo Preto, decidiu transferir os recursos da Suíça para as Bahamas, no começo de 2017. O valor equivale a R$ 121 milhões, quando corrigido pela cotação da última sexta (4).
 
Na Suíça, o ex-diretor da Dersa já estava sob investigação das autoridades que cuidam do combate à lavagem de dinheiro e corria o risco de ter os R$ 121 milhões sequestrados pelas autoridades.
 
Souza foi preso em 6 de abril pela Operação Lava Jato em São Paulo, sob acusação de ter desviado R$ 7,7 milhões na obra do Rodoanel Sul, o que seus advogados negam. O jornal Folha de S. Paulo revelou na última quarta (2) que a propina supostamente entregue a Paulo Preto em seis obras da prefeitura e do governo paulista, segundo o relato de delatores, pode chegar a R$ 173 milhões.
 
As quatro contas de julho de 2007 não foram as primeiras abertas por Paulo Preto na Suíça, ainda segundo o comunicado. Em 1993, ele e sua mulher à época começaram a operar com o banco Bordier & Cie, cada um com uma conta. Os procuradores suíços não detalham no documento o saldo dessas contas.
 
A Receita Federal nunca foi informada por Paulo Preto das cinco contas que ele manteve na Suíça. Em 1993, o engenheiro era diretor de assuntos especiais do Metrô, no governo de Luiz Antônio Fleury Filho. Ele ocupou a posição entre abril de 1991 e janeiro de 1995. Foi nessa época que diz ter começado a se relacionar com o tucano que é considerado seu padrinho político: Aloysio Nunes. Naquele período, Aloysio era vice-governador e ocupava a Secretaria de Transportes Metropolitano.
 
O engenheiro chegou à diretoria de engenharia, que tocava grandes obras, orçadas em R$ 4 bilhões, no governo de Serra, em 2007. Segundo tucanos ouvidos pela Folha sob condição de anonimato, Paulo Preto foi indicado por Aloysio, então chefe da Casa Civil e atual ministro das Relações Exteriores do presidente Michel Temer (MDB).
 
Não era a primeira vez que Paulo Preto ocupava um cargo de direção na Dersa. Em 2005, no governo de Geraldo Alckmin (PSDB), ele foi designado para uma diretoria inexpressiva, a de relações institucionais, encarregada de manter contatos com prefeituras e investidores.
 
A existência de contas de Paulo Preto na Suíça foi revelada pela Folha em janeiro deste ano. Foi a defesa do engenheiro que incluiu a documentação suíça num pedido feito ao ministro Gilmar Mendes para que as apurações que estavam sendo feitas em São Paulo pela força-tarefa da Lava Jato fossem transferidas para o Supremo Tribunal Federal.
 
A defesa de Paulo Preto diz que o primeiro documento foi enviado de maneira ilegal pela Suíça ao Brasil e pede a anulação da cooperação. Vários investigados da Lava Jato ingressaram com o mesmo tipo de recurso, mas nenhum teve sucesso.
 
O ministro ainda não decidiu se o caso ficará com o Supremo ou com a Justiça federal em São Paulo. O novo documento suíço enviado às autoridades brasileiras traz detalhes sobre as contas. Elas foram abertas em nome de uma empresa criada no Panamá, chamada Groupe Nantes Ltd., e tinha três pessoas autorizadas a movimentá-las: os canadenses Norman Albert Barr e Janet Lynne Empey e o próprio Paulo Preto.
 
Foi Barr quem pediu em 2017 que os fundos fossem transferidos para as Bahamas. Barr é um profissional que empresta o nome para empresas offshores, muitas das quais são usadas para lavagem de dinheiro. Curiosamente, ele também é procurador de uma empresa que aparece na delação da Odebrecht: a Vivosant Corp S/A, pertencente ao advogado Rodrigo Tacla Duran.
 
Acusado pela Lava Jato de ser operador de pagamentos ilícitos da Odebrecht, Tacla Duran diz que atuava como advogado e afirma que a empresa manipulou dados em sua delação. Ele está foragido na Espanha porque tem dupla nacionalidade: brasileira e espanhola.
    
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