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- COSTA RICA
- 29/05/2026 11:00
Em abril de 2026, o Serviço de Previdência Municipal de Costa Rica (SPMCR) atingiu um patrimônio de R$ 112.763.578,68, reflexo de uma política rígida de segurança e governança fiscal. Para explicar como esses recursos são protegidos em um cenário macroeconômico turbulento, o portal Hora da Notícia entrevistou o Diretor-Presidente do órgão, Geandro dos Santos Almeida, que detalhou as metas atuariais do fundo, o endurecimento de normas federais após escândalos bancários e as estratégias para garantir a sustentabilidade das aposentadorias com total transparência.
Hora da Notícia: Olá, internautas e leitores do Hora
da Notícia. Hoje o nosso foco é a previdência pública e a segurança do futuro
dos servidores de Costa Rica-MS. O Serviço de Previdência Municipal (SPM)
divulgou o relatório de investimentos referente ao mês de abril, apontando um
patrimônio total que beira os R$ 113 milhões de reais. Para entender como esse
recurso é gerido em um cenário econômico nacional tão turbulento, conversamos
com o Diretor-Presidente do órgão, Geandro dos Santos Almeida.
Geandro, seja muito bem-vindo ao Hora da Notícia. Para
começarmos, qual é o valor exato do patrimônio atual da previdência e onde esse
dinheiro está aplicado?
Geandro Santos Almeida: Olá a todos os leitores do
Hora da Notícia. É um prazer estar aqui para prestar esses esclarecimentos. O
nosso relatório fechou o mês de abril com um patrimônio total de exatos R$
112.763.578,68. Para garantir a total segurança desse montante, nós
adotamos uma carteira com perfil linear e altamente conservador. Quase a
totalidade do dinheiro está alocada nos gigantes do setor bancário brasileiro:
o Banco do Brasil (BB Gestão) concentra 47,40% (R$ 53.445.440,66); a Caixa
Econômica Federal (Caixa Distribuidora) responde por 28,19% (R$ 31.786.235,81);
o Banco Bradesco representa 12,44%; o Banco Cooperativo (Sicred) detém 10,96% (R$
12.362.946,09); a Sicoob Distribuidora fica com 1,02% (R$ 1.145.966,57); e a Finaxis
Corretora registra 0,00% (com o saldo residual de R$ 5,45). Na prática, cerca
de 80% a 90% dos nossos recursos estão concentrados no BB e na Caixa, dividindo
o restante entre Sicredi, Sicoob e Bradesco.
Hora da Notícia: Recentemente, o mercado financeiro
do país foi sacudido pelo escândalo e liquidação do Banco Master. Como esse
episódio nacional impactou a realidade dos Regimes Próprios de Previdência
Social (RPPS) e o trabalho de vocês aqui no município?
Geandro Santos Almeida: Iara, essa é uma questão
fundamental. Por conta desse escândalo recente envolvendo o Banco Master, o
Conselho Monetário Nacional (CMN) baixou uma nova resolução restringindo
severamente a aplicação de recursos dos RPPS em vários segmentos do mercado.
Sendo bem franco, isso acabou prejudicando aqueles institutos que, como nós, já
faziam o trabalho certinho e honestamente, já que as regras de alocação ficaram
limitadas para todo mundo. No entanto, compreendemos que o foco da nova
resolução do CMN é garantir mais segurança, e nós sempre defendemos que o mais
importante na gestão previdenciária não é buscar rentabilidades explosivas a
qualquer custo, mas sim preservar o patrimônio e aplicar os recursos com
responsabilidade.
Hora da Notícia: Mesmo com essas limitações de
mercado e com um cenário global instável, Costa Rica tem conseguido atingir os
resultados necessários? Como funciona a famosa "Meta Atuarial"?
Geandro Santos Almeida: Sim, nós precisamos bater a
chamada meta atuarial para garantir a saúde do fundo no longo prazo. Para este
ano de 2026, a nossa meta é render o equivalente à inflação mais uma taxa fixa,
ou seja, IPCA + 5,53%. Para dar um exemplo prático aos servidores: se o
IPCA fechar o ano em 5%, somando os 5,53% da meta, a nossa carteira de
investimentos precisa render algo na casa dos 10% e pouco no acumulado do ano.
Até o mês de abril, nós conseguimos bater a meta atuarial, o que nos deixa
"tranquilos", entre aspas. Digo entre aspas porque sabemos que 2026 é
um ano muito turbulento no cenário financeiro devido às guerras internacionais
e às questões políticas internas, fatores que interferem de forma direta no
humor dos investimentos.
Hora da Notícia: Qual é o tamanho da responsabilidade
do SPM hoje em termos de vidas atendidas e custos mensais? Quem fiscaliza esse
trabalho?
Geandro Santos Almeida: O nosso quadro de
beneficiários é composto atualmente por 535 servidores ativos e 160 aposentados
e pensionistas. A nossa folha mensal de pagamento de benefícios soma R$
749.239,91. Já a folha administrativa, usada para manter o corpo técnico e de
apoio do instituto, totaliza R$ 30.345,86. Para gerenciar tudo isso com lisura,
temos uma estrutura organizacional enxuta composta por diretor-presidente,
diretor de benefícios, diretor financeiro, contador, assistente administrativo,
agente administrativo e assessor intermediário e, acima de tudo, instâncias
rígidas de governança. Contamos com um Conselho Curador de 5 membros, um
Conselho Fiscal de 3 membros e um Comitê de Investimentos com 3 membros
técnicos.
Hora da Notícia: Olhando para o futuro, quais são os
principais desafios estruturais que a previdência de Costa Rica deve enfrentar
nos próximos anos?
Geandro Santos Almeida: O nosso RPPS é muito sólido
se comparado ao cenário nacional, tanto que temos hoje essa disponibilidade
confortável acima de R$ 112 milhões em caixa. Além disso, no ano passado, em um
evento em Campo Grande que apresentou o panorama da saúde financeira dos RPPS
de Mato Grosso do Sul, Costa Rica conquistou a 5ª posição no estado. Porém, não
podemos nos acomodar. Temos total ciência de que precisamos realizar um novo
concurso público no município e essa demanda já foi repassada formalmente ao
prefeito. A cada ano que passa, o número de servidores ativos diminui porque
eles vão se aposentando, e o número de beneficiários inativos aumenta. Esse
movimento natural eleva o déficit previdenciário e faz com que, ano após ano, a
prefeitura precise realizar aportes maiores para cobrir o chamado custo
suplementar. O concurso é vital para oxigenar essa base de contribuição.
Hora da Notícia: Para encerrar, Geandro, qual
mensagem você deixa para o servidor municipal que se preocupa com o dinheiro de
sua futura aposentadoria?
Geandro Santos Almeida: Deixo uma mensagem de total
tranquilidade. Com números sólidos e gestão transparente, o Serviço de
Previdência Municipal de Costa Rica/MS reafirma sua responsabilidade em
assegurar o futuro dos nossos servidores e a total confiança da sociedade. Para
quem quiser auditar nosso trabalho, todo mês divulgamos o relatório detalhado
de investimentos de forma clara em nosso site oficial, permitindo que a
população acompanhe exatamente onde cada centavo está aplicado. O servidor de
Costa Rica pode ter a certeza de que o seu futuro está protegido em
instituições seguras.
Hora da Notícia: Geandro, muito obrigado pelas
explicações e pela transparência em atender o Hora da Notícia.
Geandro Santos Almeida: Eu que agradeço a oportunidade de dialogar com a sociedade. Um abraço a todos.
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