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Herdeiro do Grupo Zahran, Gabriel Gandi Zahran Georges é acusado, junto com o irmão Camilo Zahran, de criar uma empresa de investimento de fachada para dar golpes, conforme apuração do Jornal Midiamax. Os dois são alvos da Operação Castelo de Cartas, deflagrada nesta quarta-feira (28), em Campo Grande.
Os dois são acusados de usar o sobrenome de família tradicional de Mato Grosso do Sul para aplicar golpes por aqui e no interior de São Paulo. A polícia civil chegou até eles, após denúncias de vítimas no município de São José do Rio Preto, interior de São Paulo.
Os irmãos tiveram bens apreendidos por policiais da Deic (Delegacia Especializada em Investigações Criminais), após buscas nos condomínios de luxo onde moram, em Campo Grande. Gabriel foi levado para a delegacia para prestar depoimento, enquanto Camilo é considerado foragido. Contra ele, havia um mandado de prisão temporária, mas ele não foi localizado.
Os dois são filhos de Gandi Jamil, ex-deputado federal e candidato ao Governo de MS, além de herdeiros do Grupo Zahran, que comanda a TV Morena e a empresa Copagaz. Gandi foi deputado federal constituinte em 1987 e deputado estadual por dois mandatos, de 1982-87. Ele também foi candidato a governador de Mato Grosso do Sul pelo PDT em 1990, quando ficou em 2º lugar com 30,9% dos votos (217.289).
Em entrevista ao site Diário do Rodrigo Lima, o chefe da DEIC de São José do Rio Preto, Fernando Tedde, explicou que os dois serão indiciados por estelionato comum e eletrônico e agiam para arrecadar dinheiro.
“Eles usavam o nome da família para divulgar a empresa de fachada, que faria investimentos e aplicações financeiras, com promessa de retorno financeiro elevado”, afirma o delegado, sem dar detalhes de quantas vítimas e nem do tamanho do golpe.
Gabriel já foi indiciado por homicídio
Em setembro de 2021, Gabriel Zahran, foi indiciado por homicídio culposo após ele atirar e matar um amigo, enquanto caçava javali, na Fazenda Chaparral, em Campo Grande. A defesa tratou o tiro como acidental.
Rozevaldo Matias Moitinho, 46, caçava com Gabriel, quando foi atingido por um tiro e levado a uma Upa, onde morreu. Ele era funcionário da família Zahran há muitos anos e os familiares também prestaram depoimento na delegacia.
Gabriel também é sobrinho do empresário Fahd Jamil, que foi preso na Operação Omertà e é réu pelo assassinato do policial militar Ilson Martins Figueiredo.
Também em 2021, Gabriel Zahran se envolveu em outra polêmica, causar um acidente de trânsito com vítimas. Um dos motociclistas envolvido no acidente, ingressou com ação de indenização por danos materiais e morais.
Com as atividades limitadas em decorrência da tragédia, o moto-entregador cobra R$ 804 mil do filho do ex-deputado Gandi Jamil e herdeiro do Grupo Zahran, que inclui a TV Morena e a Copagaz.
Operação Castelo de Cartas
De acordo com a DEIC/DEINTER 5, a operação foi deflagrada na segunda-feira (26), em São José do Rio Preto, com a preensão de 10 veículos de luxo — incluindo BMW, Mercedes-Benz, Audi Q7, Toyota Hilux e Jeep, 4 armas de fogo municiadas e valores que ultrapassam R$ 1,75 milhão, além de joias e bens de alto valor.
Nesta quarta-feira (28), a segunda fase da operação acontece em Campo Grande, com cumprimento de mandados de busca e apreensão, com o objetivo de aprofundar a coleta de provas, identificar novos envolvidos e reforçar os elementos já reunidos no inquérito policial.
Por determinação judicial, foram expedidos mandados de prisão e de busca e apreensão, parte deles cumpridos na primeira fase da operação, principalmente em condomínios de alto padrão de São José do Rio Preto.
Resultado parcial da operação:
• 01 prisão em flagrante por porte ilegal de arma de fogo;
• 04 armas de fogo municiadas (03 revólveres e 01 pistola);
• Mais de R$ 250.000,00 em dinheiro;
• Cheques e notas promissórias que, somados, ultrapassam R$ 1.500.000,00;
• 10 veículos de luxo, com destaque para BMW, Mercedes-Benz, Audi Q7, Toyota Hilux e Jeep;
• Joias e relógios de alto valor, incluindo 07 Rolex e 01 Cartier;
• Aparelhos celulares, sendo 02 iPhones de última geração;
• Cartões bancários, máquinas de cartão e farta documentação.
Todos os bens foram apreendidos e colocados à disposição da Justiça. As investigações prosseguem, podendo novas informações ser divulgadas conforme o avanço das diligências e autorização judicial.
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