Operação do Gaeco investiga contratos de R$ 22,1 milhões sem licitação em prefeituras de MS
- Polícia
- 08/07/2026 09:02
Uma investigação conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) revelou um esquema de fraude que envolve ao menos 12 prefeituras de Mato Grosso do Sul. De acordo com informações publicadas pelo portal Campo Grande News, os municípios adquiriram, sem processo de licitação, livros paradidáticos e kits pedagógicos da empresa Souza & Fanaia Comércio de Livros e Serviços, conhecida comercialmente como Editora Avante. Os contratos firmados entre os anos de 2022 e 2026 totalizam R$ 22.179.312,80.
A ação faz parte da Operação Gutenberg, que apura a atuação de uma organização criminosa suspeita de cooptar servidores públicos para direcionar as compras de materiais didáticos. Conforme divulgado pelo Campo Grande News, o Gaeco estima que o volume total de recursos recebidos dos cofres públicos pela organização alcance a marca de R$ 27 milhões. O dono da editora paulista, Joatan Gomes Peixoto, e seu filho, Matheus Oliveira Peixoto, foram presos e devem passar por audiência de custódia.
Distribuição dos Contratos pelo Estado
A reportagem do Campo Grande News detalhou o montante despendido por diferentes administrações municipais. O maior volume de recursos foi identificado na Prefeitura de Dourados, cujos acordos somados chegam a R$ 13 milhões para o fornecimento de kits com títulos voltados à saúde bucal, combate à obesidade infantil e prevenção às drogas.
Na capital, Campo Grande, as contratações para o projeto educacional "Craque na Vida" — voltado para alunos do 6º ao 9º ano da Rede Municipal de Ensino (Reme) — custaram R$ 3,2 milhões em maio de 2024. O município de Novo Horizonte do Sul também adquiriu coleções temáticas com a justificativa de apoiar práticas pedagógicas interdisciplinares e competências socioemocionais.
Outras cidades com contratações listadas pelo Campo Grande News incluem:
Ladário: R$ 1,2 milhão (divididos em quatro contratos);
Miranda: R$ 1 milhão;
Ivinhema: R$ 874,1 mil;
São Gabriel do Oeste: R$ 640,1 mil;
Caarapó: R$ 589,3 mil;
Deodápolis: R$ 474,8 mil;
Bonito: R$ 357,6 mil;
Sonora: R$ 302,2 mil;
Nova Alvorada do Sul: R$ 256,2 mil (firmado recentemente em maio);
Porto Murtinho: R$ 249,9 mil;
Anaurilândia: R$ 207,6 mil.
Desdobramentos da Operação
Ao todo, as autoridades cumpriram 16 mandados de prisão preventiva e 43 de busca e apreensão em municípios de Mato Grosso do Sul, São Paulo e Goiás. Durante as diligências, foram apreendidos R$ 69.795 em espécie e 907 dólares.
Segundo os dados apurados pelo Campo Grande News, a Operação Gutenberg também investiga uma segunda vertente criminosa: a suposta interferência de funcionários públicos no Complexo Regulador Estadual (Core) em Campo Grande, envolvendo o direcionamento e a regulação de leitos, consultas, cirurgias e exames da rede pública de saúde (SUS). Documentos e materiais foram recolhidos na sede do órgão para dar continuidade às investigações.
Com Lucia Morel/ Campo Grande News


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