Lula e Petrobras selam retomada da UFN-III no MS com aporte de R$ 5 bilhões
- Política
- 25/06/2026 09:04
TRÊS LAGOAS (MS) – Em um movimento estratégico para reduzir a dependência internacional de insumos agrícolas, o governo federal e a Petrobras oficializaram a retomada das obras da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados III (UFN-III), em Três Lagoas (Mato Grosso do Sul). O evento solene contou com a presença do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, da presidente da estatal, Magda Chambriard, e do ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira. Na ocasião, foram assinados os contratos com os consórcios e empresas vencedoras das licitações que assumirão a conclusão da fábrica.
Logo no desembarque, o presidente Lula quebrou o protocolo e foi até a grade de proteção do aeroporto para cumprimentar moradores, apoiadores e eleitores da região. Na comitiva presidencial, o destaque ficou para a ex-ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet. Natural de Mato Grosso do Sul, Tebet teve papel de destaque na articulação política interna, atuando diretamente junto ao Governo Federal e à diretoria da Petrobras para viabilizar as condições técnicas e financeiras da retomada.
Com investimentos que superam os R$ 5 bilhões e o respaldo financeiro do Novo PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), a expectativa é de que o canteiro de obras ganhe vida imediatamente, ainda neste mês. O cronograma da Petrobras prevê o início das operações comerciais da unidade para o primeiro semestre de 2029, embora etapas intermediárias — como o chamado "balcão de ureia" — estejam programadas para começar a faturar já em 2027.
O Resgate de um Gigante Adormecido
Iniciada em 2011, a UFN-III teve suas obras interrompidas em dezembro de 2014, restando poucos ajustes para sua conclusão. Por mais de uma década, o esqueleto do complexo industrial tornou-se um símbolo nacional de obras inacabadas. Durante governos anteriores, a fábrica chegou a entrar em planos de desinvestimento da estatal para ser vendida à iniciativa privada, mas nenhuma negociação prosperou.
A mudança na orientação estratégica da Petrobras sob a atual gestão reacendeu o projeto. Apesar do longo tempo de paralisação, a infraestrutura não foi abandonada à própria sorte: a estatal manteve equipes permanentes de engenharia para lubrificação, testes e conservação preventiva de motores, válvulas e sistemas tecnológicos complexos. Segundo o gerente de Projetos da Petrobras, Dimitrios Chalela Magalhães, as estruturas foram tão bem preservadas que a totalidade dos equipamentos instalados será reaproveitada.
Para agilizar o processo e diluir riscos, a Petrobras dividiu a conclusão em pacotes específicos de contratação. Gigantes do setor de engenharia estão entre os selecionados para tocar os lotes que englobam desde sistemas de água e efluentes até as plantas de produção de amônia e ureia. Sinais de movimentação já transformam a rotina de Três Lagoas, onde prestadoras de serviço licitadas começaram a fixar escritórios locais de suporte.
Segurança Alimentar e Mercado Nacional
A pressa do governo em destravar a fábrica se justifica pelo cenário global. Crises geopolíticas recentes expuseram a vulnerabilidade do agronegócio brasileiro, altamente dependente da importação de fertilizantes. Quando operar em sua capacidade máxima, a UFN-III processará diariamente 3.600 toneladas de ureia e 2.200 toneladas de amônia.
Sozinha, a planta sul-mato-grossense será capaz de cobrir cerca de 15% de toda a demanda nacional desses insumos. Ao integrar a produção da UFN-III à malha de outras unidades da Petrobras — como a Fafen-BA, cuja retomada operacional também tem sido priorizada pela gestão —, a estatal estima suprir até 30% do consumo brasileiro de nitrogenados, blindando o principal motor do PIB nacional contra choques de preços externos.
Geração de Empregos e o Desafio Local
A reativação do projeto promete aquecer fortemente a economia regional com a estimativa de gerar até 8 mil empregos no pico das obras, movimentando o comércio e o setor de serviços em Três Lagoas. O principal desafio do município, contudo, será suprir essa demanda diante da atual escassez de mano de obra qualificada no estado, que já enfrenta forte concorrência devido à expansão simultânea das indústrias de papel e celulose.
Hora da Notícia


Comentários
Nenhum comentário enviado