Fábio Trad oficializa plano de governo com 13 eixos e foco na descentralização de MS
- Política
- 08/08/2026 09:53
O candidato ao Governo de Mato Grosso do Sul pelo PT, Fábio Trad, formalizou nesta sexta-feira (7) a entrega do seu plano de governo ao sistema DivulgaCand, da Justiça Eleitoral. A chapa, que traz Gilda Maria como candidata a vice, apresenta 13 eixos estratégicos traçados para uma eventual gestão entre 2027 e 2030.
No próprio documento, a equipe de campanha faz questão de classificar a proposta como um “texto vivo”. Isso significa que o plano registrado é apenas um ponto de partida para o início da corrida eleitoral, aberto a alterações, críticas e sugestões da sociedade ao longo dos próximos meses.
A espinha dorsal da proposta petista gira em torno do fortalecimento da máquina pública, da transição para uma economia verde e, sobretudo, da tentativa de combater a disparidade de investimentos entre a capital, Campo Grande, e as cidades do interior.
Gestão pública e a promessa de descentralização
Abrindo o documento, o primeiro eixo ataca diretamente o formato de administração atual. O diagnóstico apresentado pelo partido aponta uma excessiva concentração de recursos e decisões na capital, o que isolaria os pequenos municípios e as regiões de fronteira.
Para mudar esse cenário, a chapa propõe a reativação de conselhos estaduais, a realização de conferências públicas (presenciais e digitais) e uma reforma na transparência. A ideia central é criar um "Portal Estadual de Transparência Avançada", onde o cidadão consiga acompanhar, em tempo real, o andamento de obras, a execução de contratos e — um dos pontos mais sensíveis — o tamanho das filas de espera do SUS.
Para o funcionalismo, o plano promete valorização de carreiras, concursos periódicos e reajustes com ganho real acima da inflação.
Economia: Neoindustrialização verde e a Rota Bioceânica
Apesar de reconhecer o avanço econômico impulsionado pelo agronegócio, celulose e proteína animal nos últimos anos, o plano argumenta que esse crescimento ainda é refém de commodities e concentrado em polos específicos, como Três Lagoas e Campo Grande.
A saída proposta por Trad é a implementação de uma "Neoindustrialização Verde". O objetivo é oferecer incentivos fiscais diferenciados para quem investir na agregação de valor às matérias-primas locais dentro do estado, com foco em biocombustíveis, energia solar, hidrogênio verde e mercado de carbono.
No braço de infraestrutura, a Rota Bioceânica ganha protagonismo para atrair corredores industriais e hubs de exportação. Paralelamente, o texto sugere uma articulação com o governo federal para melhorar aeródromos regionais (em cidades como Dourados, Corumbá e Ponta Porã) e cobra o acompanhamento rigoroso da concessão da BR-163, com foco no valor cobrado nos pedágios.
Revisão dos incentivos fiscais
O terceiro pilar promete mexer em uma engrenagem delicada: a política de incentivos fiscais do Estado. A avaliação do candidato é que o modelo vigente beneficia majoritariamente grandes grupos econômicos sem exigir um retorno proporcional à sociedade.
A proposta sugere que novas isenções passem a exigir contrapartidas claras — como a geração de empregos locais qualificados, metas de inclusão social (jovens, mulheres e PCDs), além do cumprimento de critérios de descarbonização e eficiência energética.
Saúde pública e Segurança na fronteira
Na área da saúde, o ponto de maior impacto é o compromisso de reverter as terceirizações e retomar a gestão estadual direta dos hospitais regionais hoje administrados por entidades privadas. O plano projeta a expansão de leitos e a construção de novos hospitais em Corumbá, Naviraí e Jardim, aliviando a pressão sobre a Capital. Para fixar médicos no interior e na fronteira, sugere a criação da Carreira Estadual do SUS-MS acompanhada de uma gratificação por fixação geográfica.
Na segurança pública, o olhar se volta para os limites territoriais com o Paraguai e a Bolívia. O plano foca na atuação integrada com forças federais para conter o tráfico e o crime organizado, enquanto sugere a criação de bases fixas do Departamento de Operações de Fronteira (DOF). No plano social, destaca a ampliação da rede das Delegacias da Mulher com atendimento 24 horas e a criação de programas voltados à saúde mental dos policiais.
Direitos sociais, Educação e Meio Ambiente
Educação e Trabalho: Trad propõe equiparar os salários de professores contratados aos dos concursados, expandir o ensino em tempo integral e criar o "Programa Primeiro Emprego MS".
Desenvolvimento Agrário: O texto faz uma distinção clara entre o agronegócio corporativo e a agricultura familiar. Para os pequenos produtores e assentados, promete apoio à reforma agrária em parceria com o Governo Federal, assistência técnica e ampliação de compras públicas.
Meio Ambiente: Focado em biomas sensíveis como o Pantanal, Cerrado e a Serra da Bodoquena, o plano sugere reforçar a fiscalização do Imasul via concurso público, criar o programa "Serra da Bodoquena Viva" e instituir um Fundo Estadual de Emergência Climática para combate a incêndios e secas.
Social e Cultura: Prevê a criação de Restaurantes Populares, fortalecimento da rede de assistência (CRAS/CREAS) e a meta de destinar até 1% do orçamento estadual para o Fundo de Investimentos Culturais (FIC). No turismo, a aposta é descentralizar o fluxo hoje concentrado em Bonito e no Pantanal, promovendo rotas históricas, gastronômicas e de base comunitária.
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